Rostos Que Ficam

No centro de Abrantes, existe uma pequena aldeia chamada Bioucas, onde estão as minhas raízes. Com pouco mais de vinte habitantes, é um lugar que sempre fez parte da minha vida. Cresci rodeada por estas pessoas, mas, apesar da proximidade, apercebi-me de que conhecia pouco das suas histórias.

Este projeto é um retrato íntimo da comunidade onde cresci. Através de retratos e pequenos detalhes, procuro revelar quem são estas pessoas que me acompanharam desde sempre, explorando a familiaridade e a distância que podem coexistir num mesmo lugar. Realizado exclusivamente com luz natural, é um trabalho pessoal e documental que procura preservar memórias, rostos e gestos, guardando aquilo que o tempo, inevitavelmente, transforma ou faz desaparecer.

Rosalina

Rosalina dos Santos, 83 anos, nasceu em Bioucas mas fez vida em Lisboa como governanta. Aprendeu a fazer pão ao observar a sua mãe, quando pequena, e mais tarde aperfeiçoou a sua técnica com a ajuda da sogra. Já são muitas as gerações envolvidas nesta arte e saber, pois a sua filha e netas também já dão os primeiros passos.

Carmelinda

Carmelinda Natálio, 86 anos, nascida e criada em Bioucas, é uma pessoa que adora o presente mas ama o passado. Através das suas histórias fazemos constantes viagens ao passado e com a ajuda das suas fotografias, é muito fácil colocarmo-nos lá.

José e Manuela

José Amaro, 73 anos, nasceu na aldeia vizinha (Souto) e muito jovem foi trabalhar como pintor para as oficinas do exército, em Lisboa. Hoje, de volta à aldeia, divide-se entre o cuidar da horta e o tratar dos animais, mais concretamente galinhas.

Manuela Amaro, 73 anos, nasceu em Bioucas, e aos 18 anos mudou-se para Lisboa, onde trabalhou numa fábrica de cabos elétricos. Depois de casada, foi viver para Caxias onde trabalhou como auxiliar num colégio de freiras. Este trabalho veio vincular a sua devoção à igreja católica. Foi sempre uma pessoa muito exigente no que toca à fé.

Frequentaram a mesma escola primária, no Souto, e desde então não se largaram. Estão casados há 50 anos, tiveram três filhos e são avós de quatro netos.

Adelina e Manuel

Adelina Lourenço, 70 anos, nasceu em Bioucas e emigrou para França na mesma altura. Foi empregada na empresa Caviar Volga e mais tarde, em conjunto com o marido, dedicou-se aos negócios da família.

Manuel Lourenço, 68 anos, nasceu em Pombal e emigrou para a França aos 16 anos. Trabalhou como taxista e mais tarde abriu os seus negócios de restauração e mecânica.

Apesar de serem portugueses, conheceram-se em França e casaram lá. Hoje, depois de 52 anos, decidiram viver a sua reforma na terra do coração.

José Luís

José Luís Brás, 59 anos, é um GNR na reserva que neste momento aproveita a vida no sossego da aldeia. A paixão pelas motas faz parte da sua vida desde criança. Aos 19 anos, com o primeiro ordenado, comprou a sua primeira mota, uma Casal 5. Hoje, tem 4 motos na garagem: Casal 5, Skyteam Gorilla 125, Honda CB125F e CFMOTO 450L.

Paula e Álvaro

Paula Passarinho, 62 anos, nunca considerou viver fora de Bioucas. Fez do negócio do pai a sua vida. Agora, apesar de gerir um negócio muito bem sucedido de alojamento local, o seu jardim e a família são a sua grande paixão.

Álvaro Passarinho, 63 anos, nascido numa aldeia vizinha (Souto), também nunca quis deixar as suas raízes. Trabalhou desde os 13 anos na construção civil e hoje em dia, dedica-se à recuperação de casas antigas na aldeia. Não consegue parar de trabalhar e para relaxar, pesca. A pesca é o seu escape.

Casados há 38 anos, são um marco da aldeia.

Guiomar

Guiomar dos Santos, 73 anos, faz do artesanato o seu refúgio. Cuida da casa, cria os seus animais e a sua terra sozinha. O ponto cruz, a renda e o tear são a sua alegria. Aprendeu ainda criança com a sua mãe e desde então nunca mais parou. Os seus trabalhos mostram sempre a sua dedicação e amor.

Idalina

Idalina Felício, 88 anos, é a tecedeira mais antiga de Bioucas. Começou a tecer aos 13 anos, depois de observar as mulheres mais velhas a fazê-lo. Tem em casa um tear com mais de 100 anos no qual ensinou a muitas raparigas a arte da tecelagem. Hoje em dia, apesar de já não o fazer, gosta muito de recordar esses momentos que a fizeram bastante feliz e realizada.